
As eleições de 2026 ainda não terminaram, mas 2028 é logo ali. Em Valparaíso de Goiás, quem deseja chegar, voltar ou permanecer no Palácio das Esmeraldas, sede da Prefeitura, na Cidade Jardins, já começa a fazer as contas. O desafio é encontrar espaço político, construir alianças e convencer a população de que tem um projeto para o futuro do município.
O grupo que governa Valparaíso há dez anos chega a esse momento com divisões que ficaram evidentes na eleição de 2026. Lideranças que antes caminhavam juntas apoiaram candidaturas diferentes. O movimento não representa, necessariamente, um rompimento, mas expõe interesses que poderão pesar na sucessão municipal.
Nos bastidores, a possibilidade de uma disputa com vários nomes já entrou nas conversas. O prefeito Marcus Vinícius, os ex-prefeitos Pábio Mossoró e Lêda Borges e a ex-deputada Dra. Zeli aparecem entre os personagens lembrados. A lista inclui ainda o veterinário Dr. Kassio Guimarães e os vereadores Denis Bento e Ricardo Viana, cada um por razões distintas.
A fragmentação das alianças é uma das questões centrais para 2028. A outra está dentro da própria Prefeitura.

Marcus Vinícius poderá disputar a reeleição, mas terá de enfrentar, antes, o desgaste que críticos atribuem à sua administração. Perto da metade do mandato, a percepção expressa por parte dos observadores da política local é que o governo ainda não conseguiu estabelecer uma conexão consistente com a população.
Há cobranças sobre a atuação do primeiro escalão e a falta de unidade entre secretarias. A impressão, entre críticos da gestão, é que diferentes áreas da administração trabalham sem uma direção política suficientemente clara.
O Blog do Amarildo noticiou a possibilidade de uma reforma no secretariado. Caso se confirme, a mudança poderá representar uma tentativa de reorganizar a equipe e dar maior coordenação ao governo.
Em conversa reservada com o Portal do Val, um integrante do núcleo político da administração reconheceu que parte das realizações da Prefeitura não chega ao conhecimento dos moradores. O relato aponta uma deficiência de comunicação, mas não permite concluir que todas as críticas à gestão decorram apenas da falta de divulgação.
Marcus também enfrenta o rótulo de “prefeito TikTok”, usado por críticos para associar sua imagem à presença nas redes sociais. Para um gestor jovem, utilizar essas plataformas é uma forma legítima de comunicação. O desafio está em equilibrar a espontaneidade com a postura institucional e, sobretudo, fazer com que os resultados da administração ocupem o centro do debate público.
A segunda metade do mandato será importante para avaliar a capacidade de Marcus de reorganizar a gestão, coordenar o secretariado e apresentar entregas. Sem pesquisas atuais de intenção de voto, não há base para afirmar como seria uma disputa se ocorresse hoje.
O desempenho do prefeito também influenciará o futuro das alianças que o levaram ao cargo. Entre elas, está a relação com seu antecessor.

Uma disputa entre Marcus Vinícius e Pábio Mossoró é uma das hipóteses que despertam interesse na política local. O confronto colocaria frente a frente o atual prefeito e o ex-gestor que participou da construção do grupo responsável por sua eleição.
Pábio administrou Valparaíso por oito anos e mantém relações políticas no município e no Estado. Uma eventual candidatura abriria espaço para comparações entre sua gestão e a de Marcus, além de provocar uma reorganização das alianças governistas.
Mas o ex-prefeito pode ter outros planos.
Nos bastidores, seu nome aparece em especulações sobre uma função no governo de Daniel Vilela ou uma eventual chegada à Assembleia Legislativa por suplência. Nenhuma dessas possibilidades representa, até agora, uma decisão pública sobre seu futuro político.
A hipótese de retorno à Prefeitura continua em circulação. E não é a única que envolve alguém que já ocupou o cargo.

Antes mesmo das eleições de 2026, Lêda Borges já era lembrada em conversas sobre uma possível candidatura à Prefeitura.
A ex-prefeita recebeu quase 70 mil votos na disputa pela Câmara dos Deputados, mas não conseguiu renovar o mandato. O resultado não garantiu sua permanência no Legislativo federal, embora mantenha seu nome em evidência na política regional.
Uma nova disputa municipal não é o único caminho mencionado para Lêda. Dependendo das articulações após a eleição presidencial, ela poderá buscar uma função estadual ou federal. Um eventual retorno à Câmara por suplência dependeria da abertura de vaga e das regras aplicáveis.
Caso decida voltar à disputa em Valparaíso, poderá reencontrar antigos adversários. Uma eleição com Marcus, Pábio e Lêda reuniria três figuras que participaram diretamente de diferentes momentos da administração municipal.
Há ainda outro nome conhecido que aparece nas conversas sobre essa possível composição.

Dra. Zeli também é citada nos bastidores da sucessão. Ex-deputada estadual, mantém vínculos políticos com o Entorno do Distrito Federal e já teve seu nome associado a uma eventual candidatura ao Executivo municipal.
Durante a campanha de 2026, circularam comentários sobre uma possível indicação para a Secretaria do Entorno no governo de Daniel Vilela. Não houve confirmação pública de convite ou negociação.
A possibilidade de disputar a Prefeitura também permanece sem anúncio.
Uma eleição que reunisse Marcus, Pábio, Lêda e Zeli teria como característica a presença de lideranças conhecidas, cujas trajetórias políticas se cruzaram ao longo dos anos. Por enquanto, porém, essa composição existe apenas no campo das especulações.
E o debate sobre 2028 não se limita aos nomes tradicionais.

O veterinário e empresário Dr. Kassio Guimarães recebeu 5.810 votos na eleição para deputado estadual. Não conquistou uma cadeira na Assembleia Legislativa, mas ganhou visibilidade e passou a ser lembrado nas discussões sobre o futuro político de Valparaíso.
Jovem, morador da cidade e ligado à causa animal, Kassio tem uma trajetória diferente da dos ex-prefeitos e das lideranças que há anos participam das principais disputas municipais.
Sua campanha estadual, realizada sem a estrutura dos grupos políticos mais tradicionais, oferece uma referência para avaliar sua presença eleitoral. Isso, contudo, não permite medir seu desempenho em uma eventual disputa pela Prefeitura.
Se decidir seguir esse caminho, terá dois anos para ampliar sua atuação, construir alianças e apresentar propostas que contemplem os diferentes desafios do município.
A eleição de 2026 também ampliou a projeção de um vereador que já ocupa espaço na política local.
Denis Bento, vereador de primeiro mandato, recebeu 11.743 votos na eleição para deputado estadual, dos quais 9.676 vieram de Valparaíso.
A votação reforçou sua presença no debate político e alimentou especulações sobre uma possível candidatura municipal.
Nos bastidores, Denis é associado ao interesse de disputar a Prefeitura. Não há, entretanto, anúncio público dessa intenção.
Caso decida concorrer, os próximos dois anos serão importantes para sua atuação na Câmara e para a construção de alianças. O resultado da eleição estadual representa uma base de votos conhecida, mas não pode ser transferido automaticamente para uma disputa pelo Executivo.
Entre os vereadores, há também um perfil que aparece nesta análise por razões diferentes.

Ricardo Viana, vereador de primeiro mandato, reúne experiência administrativa e relações políticas construídas ao longo dos anos.
Seu nome é considerado nesta análise pelo perfil técnico e pela atuação na gestão pública, características que podem integrar o debate sobre os projetos para a cidade.
Não há informação de que Ricardo deseje disputar a Prefeitura ou esteja articulando uma candidatura. Sua inclusão decorre de uma avaliação de sua trajetória, não de uma movimentação eleitoral confirmada.
A divisão dos apoios na eleição deste ano expôs diferenças dentro do grupo que governa Valparaíso, mas ainda não permite concluir que haverá um rompimento na próxima disputa municipal. Até 2028, antigos aliados poderão reconstruir acordos, buscar novos partidos ou seguir projetos próprios.
Marcus Vinícius tem dois anos para responder às críticas e apresentar resultados. Pábio Mossoró, Lêda Borges e Dra. Zeli aparecem em especulações que também envolvem outras possibilidades. Kassio Guimarães e Denis Bento ganharam visibilidade nas urnas, mas ainda não definiram publicamente seus próximos passos. Ricardo Viana entra na análise por sua experiência administrativa, sem indicação conhecida de interesse eleitoral.
A sucessão também terá de passar por uma discussão que os nomes, sozinhos, não resolvem: qual projeto cada grupo pretende apresentar para Valparaíso? A cidade terá demandas por serviços públicos, infraestrutura, mobilidade e desenvolvimento econômico, independentemente de quem esteja na disputa.
Nenhum dos sete nomes citados nesta análise anunciou publicamente a intenção de disputar a Prefeitura de Valparaíso em 2028. São lideranças mencionadas nos bastidores ou consideradas por suas trajetórias políticas, resultados eleitorais e experiência administrativa. As hipóteses apresentadas não representam candidaturas confirmadas.
Por enquanto, a disputa está nas conversas. O prefeito precisa mostrar o que ainda pode fazer, antigos protagonistas avaliam seus caminhos e novas lideranças procuram espaço.
Em 2028, caberá ao eleitor decidir entre os projetos que efetivamente chegarem às urnas. Até lá, muita coisa poderá mudar, inclusive as alianças de quem hoje está no mesmo grupo.
2026 ainda não terminou. Mas 2028 é logo ali.